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09/04/2020

Especialista diz que crise gera chance de colocar futebol brasileiro na agenda do dinheiro internacional

Por PVC, Globo Esporte.

 

A compra do Newcastle por um fundo de investimento saudita faz com que quinze dos vinte times da Premier League tenham controle acionário de empresas internacionais. Liverpool, Manchester United e Arsenal são controlados por norte-americanos, Chelsea e Bournemouth por russos, Manchester City por um sheik dos Emirados Árabes Unidos.

Na Itália, o Milan foi vendido por Silvio Berlusconi em 2012 e, desde então, foi comprado por chineses e norte-americanos. Há hoje especialistas no mercado internacional para colocar dinheiro em clubes de futebol. Nem todos vão vencer, mas muitos terão chance de sobrevivência por serem administrados como empresas e conhecerem seus tamanhos.

Na visão do especialista em Direito Esportivo, Eduardo Carlezzo, a crise do coronavírus fará jorrar muito sangue, mas pode trazer a oportunidade de mudar a legislação e finalmente obrigar clubes a se transformarem em sociedades anônimas. Mudar a estrutura política viciada dos conselhos deliberativos e começar uma nova etapa que faça nascer uma indústria importante no país. Hoje, calculam-se 370 mil empregos direitos ou indiretos produzidos pelo futebol. O potencial é de pelo menos 2,1 milhões de postos de trabalho.

PVC - Por que você julga que a crise pode ser uma oportunidade?

EDUARDO CARLEZZO - Este é o momento ideal. Vários clubes de Séries A e B vão precisar estancar a sangria e vai jorrar muito sangue. Então, é a hora de discutir as questões emergenciais, mas olhar para as soluções de longo prazo. E só existe uma solução desse tipo. Só transformar os clubes em sociedades anônimas e produzir, em algum tempo, o ingresso de capital estrangeiro no futebol brasileiro.

PVC - Os donos desse dinheiro estão dispostos a investir no Brasil?

EDUARDO CARLEZZO - Eu viajei nos últimos meses. Fui a Londres, Buenos Aires. Na Argentina, como no Brasil, a estrutura dos clubes está atrasada, mas lá eles não querem mexer. Lá, é pior. Estive também em Dubai e voltei surpreso negativamente. O futebol brasileiro está fora da agenda. Hoje, há empresas especializadas em estudar e adquirir clubes pelo mundo. O Brasil ficou muito tempo na periferia.

PVC - Então, como funcionaria a entrada do capital?

EDUARDO CARLEZZO - Num primeiro momento, a sociedade anônima não será operacional, se não houver dinheiro. À medida em que o tempo passar e o ambiente de confiança se criar, pode ser possível trazer capital estrangeiro. Mas é muito importante aproveitar esta oportunidade e dar o primeiro passo.

PVC - Quando se fala isso, muitas vezes as pessoas têm a impressão do milagre. Que vai haver dinheiro e o time vai ser campeão. Como você vê esta questão?

EDUARDO CARLEZZO - Num primeiro momento, os grandes clubes podem julgar que não têm de virar empresas e, certamente, quem vai se convencer mais rapidamente são os clubes que precisam de estrutura para permanecer na Série A. Caso do Atlético Goianiense, por exemplo. Muitos desses clubes de potencial médio já perceberam que, para se manterem, vão precisar de injeção de capital. Neste primeiro momento, os grandes não querem, porque há dirigentes que querem manter seus pequenos núcleos de poder. Manter os Conselhos Deliberativos, este câncer do futebol brasileiro. Mas, aos poucos vão perceber. O Flamengo já tem três vezes mais receita do que clubes importantes, como Grêmio, Internacional e Atlético Mineiro.

PVC - Então, no segundo momento, o senhor acha que os grandes vão ter de aderir?

EDUARDO CARLEZZO - Sim. Veja, essa mudança é urgente. É preciso aprovar o projeto do clube empresa. Não há um projeto perfeito. O projeto de lei do deputado federal não é perfeito, mas é preciso aprovar algo, mesmo que tenha de ser aprimorado depois. Foi assim que aconteceu em Portugal, na Espanha e na Itália.

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