Carlezzo Advogados

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24/05/2018

Rodrygo: veja a estratégia do Barcelona para convencer o Santos a vendê-lo agora

Por Chuteira F.C.

 

As declarações dadas nesta quarta-feira pelo presidente do Santos, José Carlos Perez, não preocuparam a cúpula do Barcelona. O dirigente afirmou em entrevista coletiva que não se sentará para conversar com o Barça sobre a venda de Rodrygo enquanto o clube “não pagar uma dívida de 14,5 milhões de euros” referente ao “caso Neymar”. Além disso, diz haver “cinco ou seis” grandes europeus interessados no jogador. Mas a direção do Barcelona acredita ter um trunfo para convencer Peres a negociar o garoto.

A carta na manga do Barcelona diz respeito às normas da Fifa sobre a duração dos contratos assinados por jogadores que tenham menos de 18 anos. Rodrygo, que fez 17 anos em janeiro, assinou em julho de 2017 um contrato de cinco anos com o Santos com uma multa rescisória de 50 milhões de euros. Mas, de acordo com advogados especialistas em direito esportivo e nas regras da Fifa, isso não é permitido.

“Nos termos do regulamento de transferências da Fifa, atletas com menos de 18 podem firmar um contrato com validade máxima de três anos”, disse ao Chuteira o advogado Eduardo Carlezzo. Indagado sobre qual seria o quadro no caso de um clube tentar levar de graça ao final do terceiro ano um jogador que quando menor de idade tenha assinado por cinco, ele disse: “Em um caso com essas condições, havendo uma tentativa de transferência internacional o clube interessado poderia arguir perante a Fifa que o contrato de trabalho está em desacordo com o regulamento de transferências e, portanto, que sua validade deveria ser limitada a três anos.”

É nisso que o Barcelona confia para dobrar o Santos. A intenção do clube catalão, que enviou ao Brasil o diretor máximo do departamento de futebol, Pep Segura, é fechar um preço com o Santos, pagar uma boa parte agora e estender o restante do pagamento ao longo de dois ou três anos – período em que deixaria Rodrygo no Brasil para ele amadurecer e jogar com uma frequência que dificilmente teria indo para a Espanha assim que completasse 18 anos (a legislação proíbe que jogadores menores de idade deixem o país). Se o Santos não quiser negociar, o Barça acredita que a situação poderá vir a ser idêntica à que o obrigou o clube a vender Neymar no meio de 2013 por apenas 17,1 milhões de euros – se não o tivesse vendido ali, em janeiro de 2014 ele estaria livre para assinar um pré-contrato e ir embora de graça seis meses depois.

No caso de Rodrygo, o Barça entende que daqui a dois anos, quando terminar o terceiro do vínculo dele com o Santos, poderá levá-lo de graça alegando à Fifa que o contrato de cinco anos firmado pelo garoto viola as normas do regulamento de transferências. Diante disso, quer mostrar o Santos que é mais negócio vendê-lo agora e ficar com ele mais dois anos, do que tê-lo por dois anos e depois perdê-lo sem receber um centavo. Ou então ter de vendê-lo por um valor baixo mais para a frente como foi com Neymar.

Os dirigentes do Barcelona já estabeleceram uma boa relação com a família de Rodrygo, e acreditam que a vontade de jogar no Camp Nou, um palco que costuma fazer bem à carreira de brasileiros, levará o garoto a recusar ofertas de concorrentes. Com Rodrygo “conquistado”, o Barça avalia que o Santos não vai querer correr o risco de perdê-lo de graça. Aí a comparação novamente é com a transferência de Neymar: o Santos preferia negociá-lo com o Real Madrid, que oferecia muito mais dinheiro, mas o jogador só queria saber do Barcelona.

Os direitos econômicos do atacante são divididos da seguinte maneira: 80% para o Santos e 20% para ele. O Barça não descarta que, para facilitar a operação, Rodrygo aceite abrir mão de sua parte em favor do clube – como fez Arthur com o Grêmio. Esse gesto seria recompensado no contrato ou no bônus pela assinatura do acordo, uma prática comum no Barcelona.

AS CONTAS DO SANTOS

José Carlos Peres diz que o Santos tem 14,5 milhões a receber do Barcelona, e chegou a esse número da seguinte maneira: 10 milhões de euros como indenização pelo adiantamento no mesmo valor que o Barça pagou a Neymar antes da final do Mundial de 2011 no Japão, o que em sua opinião caracterizaria aliciamento, e 4,5 milhões de euros por não ter sido disputado o amistoso no Brasil que estava previsto no contrato da venda do craque.

Duas fontes passaram ao Chuteira a opinião do clube espanhol sobre as alegações de Peres.

O ADIANTAMENTO DE 10 MILHÕES DE EUROS – O Barcelona refuta a acusação de que aliciou o jogador, e diz ter agido amparado por uma carta de autorização assinada pelo então presidente santista, Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro, permitindo a Neymar e seu pai negociarem com o clube que quisessem para que se transferisse ao final do seu contrato. O Barça sustenta que os 10 milhões de euros teriam de ser devolvidos por Neymar se não fosse para o clube, e que sua ida antes do final do contrato (venceria no meio de 2014) se deu em negociação com o próprio Santos, que aceitou vende-lo por 17,1 milhões de euros.

O AMISTOSO QUE NÃO FOI DISPUTADO – O jogo acertado para ocorrer na Espanha foi disputado em agosto de 2013 no Camp Nou e terminou com vitória do Barcelona por estrondosos 8 a 0. O contrato de venda estabelecia que deveria haver um amistoso no Brasil, e que se esse não fosse realizado o Santos seria ressarcido com o pagamento de 4,5 milhões de euros. Mas segundo o Barça essa obrigação só existia enquanto Neymar fosse jogador do clube. Com sua saída para o PSG, a obrigação deixou de existir. Ainda segundo a fonte, com Neymar no clube o pagamento dos 4,5 milhões de euros só se justificaria no caso de cancelamento do jogo, ou seja, ser marcada uma data para a disputa do amistoso e depois disso o Barcelona desistir de vir.

 

 

http://chuteirafc.cartacapital.com.br/rodrygo-estrategia-barcelona-santos/

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